sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os Assassinos e o Maestro



Recebi a indicação do amigo blogueiro Cássio Augusto para assisitir ao filme "Comandante" de Oliver Stone. De imediato lembrei que o diretor de cinema americano foi um dos personagens da pantomima montada pelas FARC no final do ano passado para libertação de prisioneiros sequestrados. A idéia de filmar a libertação dos reféns não era nova, a "iniciativa" foi inclusive anunciada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Em setembro do mesmo ano, Chávez afirmou: "Acho uma idéia maravilhosa que este gênio do cinema faça um filme sobre o tema".

Diante dessa afirmativa, é fácil concluir que o filme
"Comandante" (na realidade um documentário-entrevista) foi feito sob encomenda para tentar mostrar uma imagem de Fidel Castro diferente da realidade. Tenta mostrar o ditador como um líder preocupado com seu povo e um perseguido pelos Estados Unidos, sendo que o que ele é na realidade é um facínora. Se Chávez declara Stone como um "gênio do cinema" é preciso analisar o motivo pelo qual ele o faz. Se Stone, um norte-americano, não fosse ideologicamente alinhado como Fidel, Chávez e seus métodos, nunca lhe seria permitido filmá-los e desfrutar de suas companhias.

Stone nesses casos é permitido mais por sua ideologia do que por suas qualidades como diretor. O artista é eliminado para aparecer o militante de uma causa. Mas por outro lado, é bastante coerente o diretor de "Assassinos Por Natureza" querer filmar Fidel Castro e as FARC. Tem tudo a ver. Mas de toda forma é seu ocaso.

Em sentido totalmente oposto assiste-se a ascensão do jovem regente venezuelano
Gustavo Dudamel, que aos 27 anos foi convidado para assumir a partir de 2009 a direção musical da Filarmônica de Los Angeles. Dudamel é fruto de um programa do governo da Venezuela criado em 1975 para desenvolver novos músicos. Ou seja, apesar de seu forte alinhamento com o presidente-ditador de seu país (Dudamel tocou na inauguração da TV estatal que substituiu a RCTV fechada por Chávez), o maestro assumirá a Filarmônica de Los Angeles por sua qualidade como artista e apenas por isso. Não seria forçoso dizer que assume o posto "apesar" de seu posicionamento político.

Portanto, declinarei do convite para assistir o documentário do Oliver Stone. Prefiro escutar a Orquestra Sinfónica Juvenil Simón Bolívar sob a regência de Gustavo Dudamel.

11 comentários:

Alexandre Melo disse...

intereçante o post

http://alexandrevmelo.blogspot.com/

gpt disse...

legal seu blog
ta cool
t+

Bruna Battirola disse...

Deve ser interessante, sempre há essa formação de imagem de uma pessoa pública, sempre querendo mostrar o lapo positivo das pessoas mesmo que não haja esse lado positivo.

jlou disse...

Parece super interessante apesar de odiar tudo que tem ligação com Chávez!

Boa dica!!!

www.jlouthings.blogspot.com

Bruno R.Ramos disse...

Vou seguir a indicação dos colegas e verei tal filme..Depois retorno miha opinião. Um abraço

Cássio Augusto disse...

É uma pena que ñ irá ver o documentário... apenas traz o que insisto... "um outro lado da notícia"!!!

Divinas Damas disse...

Olá!

Dica de boa leitura

Política com seriedade? Confira!

Blog: MOSAICO DE LAMA:
www.mosaicodelama.blogspot.com

Comu: POLÍTICA NÃO É LIXEIRA
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=30542704

Caso não goste, delete...

Arthurius Maximus disse...

Fidel cometeu seus erros ao deixar-se seduzir pelo poder extremo. Mas é inegável que seja uma das maiores figuras políticas do século passado e um marco na política mundial. Não concordo com alguns de seus posicionamentos, mas isso não posso negar.

Omar disse...

Discordo, totalmente de vc, Dorian, quando dá a entender que Fidel Castro nada mais é que um "facínora", que pouco se importa com o povo cubano.

Fidel, tem muitos defeitos, provavelmente, condenou a morte, sumariamente, diversos desafetos, porém, dizer que ele está pouco se lixando para o povo de seu país ou que a pobreza existente em Cuba não tem qualquer relação com o embargo americano é algo inaceitável!!!

Certamente, o presidente cubano, é o comandante nacional que mais demonstrou preocupação com o povo que comanda. Para se comprovar isso, basta ver os motivos que o levaram a se insurgir contra o governo de Fulgência Batista.

Sobre os embargos, não sei se Cuba seria rica sem eles, no entanto, certamente não seria tão miserável. E não se esqueça que os demais países têm muito receio de estabelecer laços comerciais com os cubanos por medo da reação do nosso "irmãozão".

É lamentável que a sua opção política, Dorian, em muitas das vezes o impedem de analisar determinados fatos com isenção suficiente para enaltecer o que deve ser enaltecido, e criticar o que deve ser criticado.

Só mais uma coisa: eu "se" divirto lendo alguns comentários no seu blog. hahaha...abraços.

Dorian disse...

Omar,

Quem se preocupa com o povo o quer livre e não o sujeita a um país-prisão onde a morte é a pena para quem tenta sair.

A insurgência de Fidel conta Fulgêncio Batista tem mais razões ideológicas do que qualquer outra coisa. Fidel queria implantar o comunismo em Cuba. Só isso. E conseguiu. Se quisesse só libertar os cubanos do jugo americano não teria ficado 49 anos comandando a ilha com mçao-de-ferro.

Cuba foi um laboratório da antiga URSS e por isso recebeu muito, mas muito dinheiro antes de sua derrocada. Colocar a culpa da pobreza de Cuba no embargo americano não é de todo verdade.

A raiz do problema de Cuba está na falta de liberdade que sufoca até o espírito empreendedor das pessoas, dessa forma, nenhum país se desenvolve.

Resumindo: A culpa é mesmo de Fidel e do comunismo!

Eterna Constância disse...

Amigo,

Cuba não era socialista até 1961. A revolução que Fidel liderara não lutava pela implantação do "comunismo", mas pela retirada de um ditador, o Fulgêncio Batista.

O socialismo foi uma consequência do cerco que os EUA criaram ao redor da ilha, o que levou Cuba a procurar apoio com a União Soviética.


Bruno