terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Lula: Sua surdez é sua maior virtude

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O Banco Central anunciou que pela primeira vez na história, o Brasil tornou-se credor externo, ou seja, a soma de todos os ativos brasileiros (públicos e privados) no exterior superam o montante da dívida externa em quase US$ 7 bilhões!!!

Realmente um feito notável. No final de 2005 o Brasil pagou a dívida que tinha com FMI - Fundo Monetário Internacional, momento também que pode ser considerado um marco na história econômica do país.

Essas duas grandes conquistas carregadas de simbolismo do governo Lula só foi possível porquê Lula se comportou com seus companheiros do PT como a velha surda do programa humorístico "A Praça é Nossa". Ouvia uma coisa e falava outra. As conquistas na área econômica, que aliás, foram as responsáveis por sua reeleição foram obtidas devido colocação de pessoas em postos-chave que não faziam parte do PT e portanto não comungavam da visão econômica atrasada do partido. Ao dar continuidade a política econômica do governo anterior, de FHC, Lula não deu ouvidos aos ideólogos e estrategistas do PT que queriam romper com o modelo econômico vigente.

A indicação de Henrique Meirelles para presidente do Banco Central foi a melhor decisão, pois era na época e continua sendo até hoje muito respeitado no mercado financeiro nacional e internacional, portanto seu conhecimento e atuação foram decisivos nas conquistas. O Agronegócio que também deu imenso salto no governo Lula desenvolveu-se sob a gestão do ex-ministro Roberto Rodrigues, outro que também não era petista. O Ministério do Desenvolvimento que trabalhou bastante o comércio exterior aumentando as exportações também deu grande contribuição sob o comando de Luiz Fernando Furlan, empresário sem vínculo com o PT.

Se esses postos não tivessem sido entregues em mãos capacitadas como o foram, hoje estaríamos provavelmente na fila do armazém comprando açuçar racionado importado de Cuba ao invés de estarmos conquistando cada vez mais solidez econômica e respeito internacional .

Parabéns presidente Lula, sua surdez é sua maior virtude!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Seus problemas acabaram! Solicite já o seu!


sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os Assassinos e o Maestro



Recebi a indicação do amigo blogueiro Cássio Augusto para assisitir ao filme "Comandante" de Oliver Stone. De imediato lembrei que o diretor de cinema americano foi um dos personagens da pantomima montada pelas FARC no final do ano passado para libertação de prisioneiros sequestrados. A idéia de filmar a libertação dos reféns não era nova, a "iniciativa" foi inclusive anunciada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Em setembro do mesmo ano, Chávez afirmou: "Acho uma idéia maravilhosa que este gênio do cinema faça um filme sobre o tema".

Diante dessa afirmativa, é fácil concluir que o filme
"Comandante" (na realidade um documentário-entrevista) foi feito sob encomenda para tentar mostrar uma imagem de Fidel Castro diferente da realidade. Tenta mostrar o ditador como um líder preocupado com seu povo e um perseguido pelos Estados Unidos, sendo que o que ele é na realidade é um facínora. Se Chávez declara Stone como um "gênio do cinema" é preciso analisar o motivo pelo qual ele o faz. Se Stone, um norte-americano, não fosse ideologicamente alinhado como Fidel, Chávez e seus métodos, nunca lhe seria permitido filmá-los e desfrutar de suas companhias.

Stone nesses casos é permitido mais por sua ideologia do que por suas qualidades como diretor. O artista é eliminado para aparecer o militante de uma causa. Mas por outro lado, é bastante coerente o diretor de "Assassinos Por Natureza" querer filmar Fidel Castro e as FARC. Tem tudo a ver. Mas de toda forma é seu ocaso.

Em sentido totalmente oposto assiste-se a ascensão do jovem regente venezuelano
Gustavo Dudamel, que aos 27 anos foi convidado para assumir a partir de 2009 a direção musical da Filarmônica de Los Angeles. Dudamel é fruto de um programa do governo da Venezuela criado em 1975 para desenvolver novos músicos. Ou seja, apesar de seu forte alinhamento com o presidente-ditador de seu país (Dudamel tocou na inauguração da TV estatal que substituiu a RCTV fechada por Chávez), o maestro assumirá a Filarmônica de Los Angeles por sua qualidade como artista e apenas por isso. Não seria forçoso dizer que assume o posto "apesar" de seu posicionamento político.

Portanto, declinarei do convite para assistir o documentário do Oliver Stone. Prefiro escutar a Orquestra Sinfónica Juvenil Simón Bolívar sob a regência de Gustavo Dudamel.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O Dragão da Maldade Contra O Santo Guerreiro


"O Dragão da Maldade Contra O Santo Guerreiro" de 1969, é um dos cultuados filmes de Glauber Rocha. Em resumo (se é possível resumir e dar sentido ao experimentalismo do filme), narra a história de uma cidadezinha do interior nordestino, dominado por um coronel que contrata um matador de jagunços (Antônio das Mortes, o "dragão da maldade") para se livrar de um falso cangaceiro (Coirana, o "santo guerreiro"). Antônio das Mortes luta com o cangaceiro mas não o mata. O coronel por sua vez é morto por um companheiro de Coirana.

Talvez o resumo do filme dê mais sentido a escultura doada por Oscar Niemeyer ao ditador de Cuba, Fidel Castro, do que a dada pelo seu criador, que seria "uma homenagem ao povo cubano na defesa da soberania contra o monstro imperialista (leia-se Estados Unidos)".

Fidel é incontestavelmente o maior responsável direto por morte de cubanos do que qualquer outra pessoa, país ou sistema. No filme, o intitulado "dragão da maldade" (um assassino), teve mais compaixão do que o coronel que o contratou. Glauber Rocha era mesmo um visionário e Niemeyer prova que idade, às vezes, não é sinônimo de sabedoria.