Para ganhar mais tem que produzir mais

Marx deve estar se revirando em seu túmulo (que fica em Londres, Inglaterra). Uma de suas sentenças mais utilizadas para justificar o planejamento central da economia nos regimes comunistas acaba de ser jogada para escanteio em Cuba: "de cada um conforme sua capacidade e a cada um segundo sua necessidade" era o slogan decorado para exaltar a forma igualitária, em tese, do funcionamento de um país socialista.
Nessa quarta-feira, o jornal oficial cubano, o Granma, divulgou a notícia que será extinto o igualitarismo salarial, passando a remuneração dos trabalhadores cubanos ser determinada pela produtividade e pela qualidade do serviço prestado, além de eliminar o teto salarial. (Aliás, na última campanha presidencial da França, quando foi eleito o candidato de direita, Nicolas Sarkozy, quando a sua oponente, Ségolène Royal, falava em aumento de salário, ele dizia: "trabalhem mais para ganhar mais"!)
Desde o afastamento de Fidel Castro do dia-a-dia do governo, que foi assumido por seu irmão, Raul Castro, várias mudanças já ocorreram na ilha que paulatinamente vem preparando o país, um dos poucos fósseis comunistas ainda existentes, para sua inserção no mundo capitalista, no mínimo, ao estilo chinês que está unindo desenvolvimento da economia sem que o partido comunista abra mão do controle político.
Raul já permitiu que os cubanos comprem aparelhos de DVD, computadores pessoais e telefones celulares, além de também poderem se hospedar nos hotéis antes apenas disponíveis aos turistas estrangeiros. Só faltava os cubanos terem dinheiro para usufruirem dessas permissões. A notícia da mudança dos critérios para pagamento de salários pode ser o início da criação de uma classe consumidora na ilha, que por sua vez pode induzir o surgimento de empreendedores que são a verdadeira mola mestra que impulsiona o desenvolvimento de um país.

