quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ser ou não ser... (ou a zona cinzenta e o contexto)



A decisão do ministro da Justiça Tarso Genro em conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti é no mínimo questionável. Na decisão, o ministro embasa a decisão na alegação dada pelo próprio Battisti que era perseguido pelas autoridades italianas em razão de "opiniões políticas" disseminadas à época que integrava grupo armado (PAC - Proletários Armados pelo Comunismo) na Itália nos anos 70. No entanto, o pedido de extradição se baseia em condenação por assassinato e terrorismo e não por expressão de simples opiniões.

Um dado interessante no despacho do ministro é que não existe a palavra "inocente" no texto. Apenas a informação de que Battisti "assegurava" não ter cometido os crimes de que estava sendo acusado. Mais na frente o texto diz:

"...(na Itália) formaram-se organizações revolucionárias de ação direta que operavam em zonas 'cinzentas', na estreita faixa entre a ação política insurrecional de caráter armado e a ação marginal do 'banditismo social'."

É intrigante tentar imaginar que tipo de ação se desenvolveu nessa tal "zona cinzenta"...

A questão central, então é: Battisti é ou não é um assassino ou um terrorista?? É inocente ou culpado das acusações??

Com a palavra o próprio Battisti. Em carta escrita pelo mesmo após o Conare - Comitê Nacional para os Refugiados ter negado seu pedido de refúgio, Battisti também não alega inocência . Diz apenas que não é criminoso comum e sim ativista político. Em um trecho da carta diz:

"Temos que buscar a Justiça, e lembrar a todos que meus atos não foram atos isolados. Mas sim atos inserido no Contexto."

O "contexto" que ele fala deve ser a mesma "zona cinzenta" citada pelo ministro Tarso Genro...